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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Dia Drummond, dia poesia!!!

Esse foi o Dia Drummond, resolvi levar meus aluninhos do 3o. ano para a área externa do colégio para nos deliciarmos com a poesia de Drummond, eles amaram!









quarta-feira, 23 de março de 2011

Elomar Figueira de Mello em Rio de Contas

O compositor e cantador Elomar Figueira Mello, mais uma vez, reúne músicos de orquestra, flauta, violoncelo e violão clássico, formando a Camerata, para realizar a segunda edição do Galope Estradeiro, em 10 cidades, desta vez nos estados da Bahia, Ceará e Minas Gerais, com exceção de Vitória da Conquista e Juazeiro do Norte, todos os municípios têm até 15 mil habitantes.



Confira a agenda de shows:



Dia 20 – CONCERTO SESC JUAZEIRO DO NORTE – SESC

DIA 24 – CONCERTO JACARACI (BA) – TEATRO CENTENÁRIO

DIA 25 – CONCERTO – RIO DO ANTÔNIO (BA) – CÂMARA DE VEREADORES

Dia 26 – CONCERTO IBIASSUCÊ (BA) – PRAÇA DO REBENTÃO

DIA 27 – CONCERTO IGAPORÃ (BA) – PRAÇA DA IGREJA

DIA 29 – CONCERTO RIO DE CONTAS (BA) – TEATRO SÃO CARLOS

Dia 30 – CONCERTO VIT. DA CONQUISTA (BA) – TEATRO ESCOLA LÍRICA MINEIRA – F. CASA DOS CARNEIROS



O projeto, “Galope Estradeiro”, é o nome de uma série sinfônica do compositor Elomar Figueira Mello que se consolida como uma experiência de grande importância cultural, porque promove a interação entre o compositor e seu elemento de criação: o sertanejo, que é o seu próprio público. Este projeto é marcado por uma marcha que deixa na trilha momentos encantadores de trocas e partilhas.
 

domingo, 28 de novembro de 2010

Vanda Machado

Registro do encontro de Pati Pacheco e Vanda Machado (Vanda Machado é doutoranda em Educação e especialista em História e Cultura Africana pela Universidade Federal da Bahia. Autora de livros e artigos publicados em coletâneas e revistas especializadas)

Vanda e Pati

domingo, 7 de novembro de 2010

A menina e o pássaro encantado – Ruben Alves


Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo.

Ele era um pássaro diferente de todos os demais: era encantado.

Os pássaros comuns, se a porta da gaiola ficar aberta, vão-se embora para nunca mais voltar. Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades… As suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava. Certa vez voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão…

— Menina, eu venho das montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco do encanto que vi, como presente para ti…

E, assim, ele começava a cantar as canções e as histórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro.

Outra vez voltou vermelho como o fogo, penacho dourado na cabeça.

— Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga. As minhas penas ficaram como aquele sol, e eu trago as canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes.

E de novo começavam as histórias. A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isto voltava sempre.

Mas chegava a hora da tristeza.

— Tenho de ir — dizia.

— Por favor, não vás. Fico tão triste. Terei saudades. E vou chorar…— E a menina fazia beicinho…

— Eu também terei saudades — dizia o pássaro. — Eu também vou chorar. Mas vou contar-te um segredo: as plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios… E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera do regresso, que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudade. Eu deixarei de ser um pássaro encantado. E tu deixarás de me amar.

Assim, ele partiu. A menina, sozinha, chorava à noite de tristeza, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa dessas noites que ela teve uma ideia malvada: “Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá. Será meu para sempre. Não mais terei saudades. E ficarei feliz…”

Com estes pensamentos, comprou uma linda gaiola, de prata, própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera. Ele chegou finalmente, maravilhoso nas suas novas cores, com histórias diferentes para contar. Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola, para que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz.

Acordou de madrugada, com um gemido do pássaro…

— Ah! menina… O que é que fizeste? Quebrou-se o encanto. As minhas penas ficarão feias e eu esquecer-me-ei das histórias… Sem a saudade, o amor ir-se-á embora…

A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas não foi isto que aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ficando diferente. Caíram as plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio: deixou de cantar.

Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava. E de noite ela chorava, pensando naquilo que havia feito ao seu amigo…

Até que não aguentou mais.

Abriu a porta da gaiola.

— Podes ir, pássaro. Volta quando quiseres…

— Obrigado, menina. Tenho de partir. E preciso de partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar. Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro de nós. Sempre que ficares com saudade, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com saudade, tu ficarás mais bonita. E enfeitar-te-ás, para me esperar…

E partiu. Voou que voou, para lugares distantes. A menina contava os dias, e a cada dia que passava a saudade crescia.

— Que bom — pensava ela — o meu pássaro está a ficar encantado de novo…

E ela ia ao guarda-roupa, escolher os vestidos, e penteava os cabelos e colocava uma flor na jarra.

— Nunca se sabe. Pode ser que ele volte hoje…

Sem que ela se apercebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado, como o pássaro. Porque ele deveria estar a voar de qualquer lado e de qualquer lado haveria de voltar. Ah!

Mundo maravilhoso, que guarda em algum lugar secreto o pássaro encantado que se ama…

E foi assim que ela, cada noite, ia para a cama, triste de saudade, mas feliz com o pensamento: “Quem sabe se ele voltará amanhã….”

E assim dormia e sonhava com a alegria do reencontro.
 
Um dedo de prosa com o mestre Ruben Alves, com o põr do Sol de testemunha, no projeto TAL em Salvador.
Foto by Flávia Pacheco



Para o adulto que for ler esta história para uma criança:

Esta é uma história sobre a separação: quando duas pessoas que se amam têm de dizer adeus…

Depois do adeus, fica aquele vazio imenso: a saudade.

Tudo se enche com a presença de uma ausência.

Ah! Como seria bom se não houvesse despedidas…

Alguns chegam a pensar em trancar em gaiolas aqueles a quem amam. Para que sejam deles, para sempre… Para que não haja mais partidas…

Poucos sabem, entretanto, que é a saudade que torna encantadas as pessoas. A saudade faz crescer o desejo. E quando o desejo cresce, preparam-se os abraços.

Esta história, eu não a inventei.

Fiquei triste, vendo a tristeza de uma criança que chorava uma despedida… E a história simplesmente apareceu dentro de mim, quase pronta.

Para quê uma história? Quem não compreende pensa que é para divertir. Mas não é isso.

É que elas têm o poder de transfigurar o quotidiano.

Elas chamam as angústias pelos seus nomes e dizem o medo em canções. Com isto, angústias e medos ficam mais mansos.

Claro que são para crianças.

Especialmente aquelas que moram dentro de nós, e têm medo da solidão…



As mais belas histórias de Rubem Alves

Lisboa, Edições Asa, 2003

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Sá Linda (1911-2010)

Minha contadora de histórias , vozinha querida, nome de alma, Almerinda, que em meio a 'Prados e Nogueiras" de verde e frutas, flores e histórias, aquela que me mostrou , desde muito pequena, o valor das coisas simples e belas. Que o tempo tranasforme essa dor em uma saudade gostosa e que o Consolador venha sobre nós para nos confortar! Te amamos Sá Linda!
Minha Vozinha Almerinda e "minha espiga de milho" Bernardo

Eu sempre voi cantar pra ela...

"Na minha chegada
o povo ri
e pra eu sair
tem alguém que chora
ó minha senhora
não chore não,
me dê a mãe
que eu já vou embora..."

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O Barão de Macaúbas

Moro em Rio de Contas há 6 anos e não conhecia essa fantástica história de um médico que descobre que na verdade sempre foi educador MA-RA-VI-LHO-SO!!! Amei
Estava visitando o blog Notícias de Rio de Contas e conheci e trouxe pra cá!
Abílio César Borges, Barão de Macaúbas

Pedagogo e médico brasileiro - (1824 - 1891)

Pedagogo e médico brasileiro nascido no município baiano de Rio de Contas, antigo Minas do Rio de Contas, um dos precursores do livro didático brasileiro. Formou-se em medicina no Rio de Janeiro, RJ, onde se doutorou (1847). De volta à Bahia, como diretor da instrução pública estadual, trocaria a carreira médica pela atividade de educador, e fundou em Salvador o Ateneu Barrense e o Ginásio Baiano (1858), em Salvador, responsável pela formação de grandes personalidades como Castro Alves (1847-1871) e Rui Barbosa (1849-1923).

Novamente mudando-se para o Rio de Janeiro, RJ (1871), onde ficou até sua morte, fundou o Colégio Abílio, retratado pelo escritor Raul Pompéia (1863-1895) em O Ateneu (1888), e dez anos depois outro, com o mesmo nome, na cidade mineira de Barbacena. Por suas contribuições na área educacional, recebeu o título de barão de Macaúbas (1881) por decreto imperial, concedido por D. Pedro II (1825-1891).

Revolucionou o ensino brasileiro, tornando-se uma das suas mais expressivas personalidades. Também ganhou fama por sua luta pela abolição dos castigos físicos nas suas escolas e fazendo-as modelo para instituições similares no restante do país. Expôs suas ideias pedagógicas no volume Lei nova do ensino infantil (1884). Foi professor de Luís Edmundo, Castro Alves, Raul Pompéia e Rui Barbosa, entre outros.

Fonte: Blog do Escritor Jaime de Lima Alves

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Claudina... D. Coló


"Quando eu era pequena dormia em uma cama de vara coberta com folha de bananeira, eram seis forquilhas , e tinha um travesseiro de folha de bananeira e tinha noite que a gente acordava e chamava _ mamãe tem uns bichinhos querendo entrar no ouvido_ mamãe vinha e esfregava assim o travesseiro e espantava os bichinhos e a gente dormia de novo. Pra alumia tinha os candeeiros de barro que a gente fazia o pavio de algodão que a gente colhia e enrolava assim e ia fazer o óleo da mamona pra colocar dentro. E assim agente tudo vivia e era feliz" (relato feitopor D. Coló no Encontro pelas Águas em uma de nossas conversas)


A relação entre um Griô aprendiz e um mestre é algo natural, que acontece de forma natural, as afinidades se encontram e assim se dá a transmissão de saber.

Flávia Griô

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A FOMEGERADA


Zofir Brasil


A você que bebe e come
No melhor do apogeu
Já refletiu que é fome
Daquele que nao comeu?
Não é a fome sentida
Antes sua refeição
Sim de quem nao tem comida
Faltando na meso o pão
Vegetador iludido
Sofre o pobre desnutrido

Você de berço de ouro
De infância exemplar
Jamais ouviram seu choro
A não ser só por chorar
Outro só de fome chora
Sem comer porque não tem
E em se chorando a implora
Dia seguinte que vem
Nesse viver aturdio
Sofre o pobre desnutrido

Você um pai que tem tudo
Fala de barriga cheia
O outro pai fica mudo
Não tendo nada pra ceia
Um vê o filho bem robusto
Sadio,alegre e viçoso
O outro vezes toma susto
Vendo o filho inditoso
Nascer tivesse morrido
Sofre o pobre desnutrido

Vê criança mesma idade
De outra colega sua
Vez carece piedade
Em verdade nua e crua
Uma aprende e outra não
Vem fator inteligência
Quem prejulga tem perdão
Relato aqui com prudência
Claro notório e sabido
Sofre o pobre desnutrido

Quem nao soube quem nao ver
Muitos de fome morrem
Quem não sabendo o por quê
Endemia os sofrerem
A lastima da fome
Em todo o Norte e Nordeste
Faz alguém ficar atento
Até eu-semi-escondido
Sofre o pobre desnutrido

Daí,grito propolando
Autoridades-competentes
Nesse eco assim rimando
Peço olharem a tais viventes
São muitos morrendo aos poucos
Entre nós sem comer
Se não morrem,ficam broncos
Dêm a este escrito ouvido
Sofre o pobre desnutrido

Mortalidade infantil
Deixa um saldo indesejavel
Não mais ser suportável
Inadianta pesquisa
Remedíos planejamentos
Que se de fato se precisa
Matar fome com alimentos
Se não tudo está perdido
Sofre o pobre desnutrido.

sábado, 29 de agosto de 2009

Maria Brandão - Negra e Comunista

Acompanho o Blog NOTÍCIAS DE RIO DE CONTAS e trouxe de lá essa reportagem do jornal A TARDE escrita por JAIME SODRÉ que foi meu professor em uma das disciplinas que cursei na especialização em História e Cultura Afro-Brasileira que fiz.

Já ouvi falar muito nessa mulher extraordinária aqui em Rio de contas, mas agora lendo esta matéria me despertou um interesse maior por sua história e luta.


Esta imagem de Maria Brandão dos Reis está no livro MULHERES NEGRAS DO BRASIL, de autoria de Schuma Schumaher e Érico Vital Brazil, publicado em 2007 por Senac Editoras em parceria com a REDEH (Rede de Desenvolvimento Humano). É a foto nº 526, acompanhada das seguinte informações: "Grande liderança popular na Bahia, militante comunista na década de 1940. Reprodução feita a partir do Calendário Comemorativo dos Cem Anos da Abolição. Conselho Estadual da Condição Feminina de São Paulo"

Nascida a 22 de julho de 1900 em Rio de Contas. Maria Brandão dos Reis, segundo os autores, “foi um exemplo de mulher negra envolvida na política”. Impressionou-lhe a passagem da Coluna Prestes, avivando o amor pelo Partido Comunista Brasileiro. Idealista, mudou-se para Salvador como destacada liderança. Abriu uma pensão na Baixa dos Sapateiros, (daí o seu deslocamento pela Rua dos Perdões) onde, além de alimentar e hospedar estudantes, caprichava na instrução política destes “filhos adotivos”, ampliando-a para as questões sociais. Piedosa, ajudava aos necessitados.

Em 1947, entrou em ação concreta quando os moradores do Corta Braço foram ameaçados de perderem as suas casas. Ela os ajudou, organizando-os em uma vigília e vibrante passeata de protesto. Como devotada da paz engajou-se na campanha do partido em 1950, encarregando-se da fundação de diversos conselhos em vários municípios. Por sua atitude determinante e incansável, recebeu a indicação de “Campeã da Paz”.

O lado dramático desta história registra-se em um desapontamento imperdoável. Segundo os autores, a premiação pelo seu feito e sua convicção pacificadora, deveria ser realizada em Moscou, onde D. Maria Brandão receberia pessoalmente e merecidamente, o reconhecimento pelo seu idealismo, mas por decisão do partido, ela foi substituída por uma “jovem intelectual”. Esta nem se quer recusou, colaborando com esta desconsideração a uma “senhora negra” de jovens ideias e comprovadas lutas. Mas este fato não passou impune, pois manifestou veementemente a sua revolta frente às lideranças comunistas, registrando para a história desta agremiação política um capitulo menos digno.

Veio o golpe militar de 1964, D. Maria mobiliza-se para escapar da prisão, refugiando-se. De volta a Bahia, em 1965 foi alcançada pela polícia e submetida a interrogatório sobre o seu envolvimento com as idéias comunistas. O inquérito não evoluiu, talvez por reconhecê-la com um verdadeiro agente da paz e que apenas, por sua generosidade, queria um povo feliz, bem alimentado e instruído, conforme demonstram as suas ações naquela pensão, e para isso escolhera a política.

D. Maria Brandão dos Reis, encerrou a sua atividade em nosso mundo em 1965, aguardando o nosso reconhecimento, com o seu nome, quem sabe, nomeando uma das nossas ruas ou na fachada de uma escola?